sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PRETINHO BÁSICO

Fonte : Revista Veja

O "pretinho básico" que Chanel criou em 1926: modelito chegou, foi visto e venceu 

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Preto é aposta certa desde o início do século XVIII, quando a indumentária masculina urbana, especialmente na Inglaterra, ganhou a sobriedade que até então se restringia ao círculo dos pastores protestantes e dos militares. A razão do fenômeno é socioeconômica. Os tons escuros e as modelagens menos bufantes eram mais uma forma de os burgueses, a classe em ascensão, marcarem sua diferença em relação à aristocracia que teimava em cultivar o espalhafato das rendas e dos frufrus. Foi assim que o preto se tornou a cor dos cavalheiros vetustos, sendo depois incorporado ao guarda-roupa dos dândis, os janotas que começaram a ditar a moda a partir de meados do século XIX.
No armário das mulheres, porém, o preto ainda continuaria a ser por muito tempo símbolo de luto, e só. O preto, no Ocidente, foi associado a rituais fúnebres como renúncia à ostentação material. Para expressar tristeza, os privilegiados abriam mão durante um certo período de usar seus tecidos coloridos, inacessíveis aos pobres. Até o século XVIII, os pigmentos usados para tingir eram caríssimos, motivo que levou a que as cores vibrantes, como o dourado e o vermelho, fossem vistas como sinal de poder e opulência. Essa aura permaneceu no universo feminino até o início do século XX, cultivada também por aqueles senhores que adotaram o preto para si próprios. Afinal de contas, para um burguês bem-sucedido, nada como uma esposa ricamente trajada – e colorida – para mostrar quão polpuda era sua conta bancária. O preto só entraria para o dia-a-dia feminino com a chegada das mulheres ao mercado de trabalho e sua conseqüente emancipação social e política.
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Essa revolução tem seu eixo na figura de Gabrielle "Coco" Chanel, a estilista francesa que inventou quase tudo o que é moderno e elegante no figurino feminino atual. Foi ela a aposentar definitivamente os vestidões compridos e armados. A palavra de ordem de Coco Chanel era conforto e praticidade, conceitos que se casavam à perfeição com as necessidades da nova mulher. Ela apresentou ao mundo seu modelito curto, reto, simples e preto nas páginas da revista Vogue, em 1926. Quase instantaneamente, o "pretinho básico" virou o uniforme da mulher chique. Nas décadas seguintes, o preto ganharia dose extra de glamour por obra e graça das estrelas de cinema. Entre elas, Audrey Hepburn, a atriz capaz de emprestar elegância até a um saco de batatas. Audrey fez dele seu tom de roupa favorito e, num longo de alças, tirou o fôlego da audiência em Bonequinha de Luxo.
Outros exemplos? A estonteante Rita Hayworth, cantando com voz rouca no papel de Gilda, começou e terminou nas luvas um memorável ensaio de strip-tease – não mexeu no ultra-sexy longo negro (com detalhe abaixo do busto para esconder a gravidez). A loiríssima Anita Ekberg, de preto, inesquecível, banhou-se na Fontana di Trevi em La Dolce Vita. E não há vestido menos fúnebre do que o usado pela Morticia de Anjelica Huston na versão modernosa de A Família Addams. Com tanto estímulo, não espanta que a maioria das mulheres ainda prefira o preto. Afora todos os motivos elencados até agora, ele disfarça marcas de uso prolongado. Um vestido escuro, como sabem as mais econômicas, demora a ficar com aspecto de coisa velha.
 Por isso, adeptas do preto, não se deixem levar pela conversa de que as cores vibrantes só servem para realçá-lo. Experimentem um caramelo aqui, um carmim acolá e outras tonalidades que virem nas vitrines. Nada grave. Mas encarem isso apenas como uma "pulada de cerca". Seu companheiro fiel, seguro e para toda a vida, não esqueçam em nenhum momento, será sempre o preto. ( Extraído da Revista Veja nº 1642 )

3 comentários:

  1. Pretinho básico, dizem q ninguém deve deixar d ter. rs
    Curioso é ouvir q preto emagrece. Assim terei q ter mais d um. rsrs
    Bjs, obrigada pela linda msg.
    Q em 2011 estejamos novamente juntos mesmo q à distãncia.

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  2. Risadas, eu quando liguei o computador fiquei curioso com um arquivo no desktop fui ver o que era, o título é Pretinhos básicos, quando abriu, sabe o que era? Muitos modelitos de pretinho básico que minha mulher colheu e guardou.
    Agora chego aqui e vejo esta matéria publicada.
    Será coincidências!!!
    Abraço

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