sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LIMITE DO DESEJO

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 Um imperador, conhecido pela sua arrogância e pelo fato de só fazer o bem quando isso trazia bons Dividendos políticos, resolveu dar uma volta pela capital do reino.

- Vamos mostrar ao povo que eu sou um homem bom - disse aos nobres que o acompanhavam. Caminharam por algumas ruas da cidade, seguidos pela multidão que sempre se juntava ao redor da comitiva, até que encontraram um mendigo. - O que você precisa, pobre homem? - perguntou o imperador.  O mendigo riu: - Vossa Alteza me faz esta pergunta, como se pudesse satisfazer qualquer coisa!

Irritado, o imperador repetiu: -
O que você quer? Claro que eu posso satisfazer qualquer desejo seu, já que não deve ter sido um homem muito ambicioso nesta vida!

- Na verdade, o meu desejo é bem simples. Está vendo esta bolsa vazia que carrego comigo? Pois gostaria que colocasse alguma coisa aí dentro.
- Claro! -
disse o soberano. E virando para seu conselheiro, pediu que enchesse a pequena bolsa de moedas.

Escutou-se o murmúrio da multidão, louvando a Deus por ter colocado um homem tão generoso no comando do país.

O conselheiro pegou o dinheiro que tinha consigo e colocou na pequena bolsa, mas ela parecia continuar vazia. Surpreso, o imperador pediu ajuda aos nobres que acompanhavam, mas - mesmo depois de toda a comitiva ter esvaziado seus bolsos e sacolas - a bolsa não dava sinais de encher.

A história correu pelas praças e ruas das redondezas, e a multidão aumentou cada vez mais. Agora era o prestígio do imperador que estava em jogo, e ele se virou para o ministro: - Se precisar colocar todo o meu reino aí dentro, farei isso, mas não posso ser humilhado por um mendigo.

O ministro foi até o palácio, trouxe diamantes, pérolas e esmeraldas, mas a bolsa não enchia. Tudo que era ali colocado parecia desaparecer. A esta altura, praticamente toda a cidade acompanhava a cena, mas não se escutava um só ruído; todos pareciam hipnotizados pelo que estava acontecendo.

Finalmente, quando a primeira estrela apareceu, o soberano ajoelhou-se diante do mendigo, e admitiu a derrota.
- Vim aqui para tentar convencer os outros que sou um homem generoso, e terminei sendo convencido que não tenho nenhum poder. Peço perdão pela minha arrogância, mas também peço que me abençoes, porque és um homem santo, capaz de milagres.

O mendigo colocou as mãos na cabeça do homem ajoelhado e o abençoou. - Basta um grão de amor para que o coração fique repleto. Entretanto, nem toda riqueza do mundo pode encher de alegria um coração com fome de amor.

O imperador levantou-se, e antes de retornar ao palácio, perguntou ao mendigo: - É esse o segredo da bolsa?  - Não. Minha bolsa é feita do desejo humano: por mais que tenha, sempre quer ter mais, e por isso permanece vazia. ( autor desconhecido, Diário do Grande ABC -  http://www.dgabc.com.br )

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