domingo, 27 de novembro de 2011

AMAZONAS, O GRANDE RIO DOS MITOS

amazonas

Sérgio Augusto

Somos um povo desmemoriado e acintosamente ignorantes do passado de nossos vizinhos, mesmo daqueles também banhados pelas águas do rio-mar. Se muitos de nós conhecem a origem da palavra Amazonas e a identidade de quem assim o batizou
( o rei espanhol Carlos I), bem menos gente sabe que, além de Rio Grande e Mar Dulce,o Amazonas também foi chamado de Rio da Canela. E a Amazônia, por conseguinte, de País da Canela.

Atrás da cobiçada especiaria cingalesa , também abundante naquela região segundo a lenda, aventureiros e emissários reais viraram comida de onça, piranha e silvícolas.

Entre eles , o mais famoso é o conquistador espanhol Francisco de Orellana, que , no século 16 , em vez de ir atrás apenas da canela, tentou descobrir nas terras banhadas pelo Amazonas, a mítica Cidade de Ouro, conhecida como Eldorado. Foi uma proeza iniciada em Quito , que terminou , sem resultado, em novembro de 1546, com a morte de Orellana .

Vinte anos depois da expedição de Orellana veio a de Pedro de Ursúa, que cometeu dois erros : levar a bordo do seu barco a mulher mais bonita do Peru, a mestiça Inês de Atienza e Lope de Aguirre, que sublevou a tripulação, provocando a morte de Ursúa e Inês.

Atrás da Eldorado também veio o coronel britânico Percy Fawcett , já no século 20. Instigado pelo documento de um anônimo bandeirante do século 18 sobre a existência de uma cidade de ouro no meio da floresta, Fawcett desapareceu misteriosamente em 1925, sem achar a sua “lost city ”.

Com heróis e vilões reais e imaginários, sucessores de Orellana, Úrsua e outros, entre os quais se sobressaí a figura de Luís Galvez, autoproclamado “imperador do Acre”, na virada do século 19, nenhuma outra selva atraiu tantos visionários, predadores, estudiosos e influenciou tantos artistas, (entre eles Julio Verne, Vargas Lllosa, Villa-Lobos, e Rômulo Gallegos ) .

( jornal O Estado de São Paulo, “Sabático”, ano II, nº 76)

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