terça-feira, 30 de abril de 2013

50 tons da verdade!

:: Rosana Braga ::

50tons Sim, me rendi à trilogia "50 tons"*! E embora ainda não tenha lido o último volume, já poderia refletir aqui sobre os tantos e tantos temas levantados na narrativa que conta sobre o encontro e a relação entre um jovem casal - Ana e Christian. Porém, quero me deter, neste momento, a apenas um!

Não se trata da combinação entre dominador e submissa, nem do erotismo tão explorado entre cada intenso acontecimento. E também não quero defender nenhuma das tantas diferentes opiniões que já ouvi e li acerca deste que é - indiscutivelmente - um grande sucesso editorial!

Quero falar de um detalhe que muito me envolveu e cativou! É sobre a capacidade que o protagonista - Christian Grey - tem de expor a sua verdade. De se colocar. De falar exatamente o que quer, como quer, onde quer e quando quer. Em princípio, colocado desta forma, e especialmente a quem não leu, pode parecer uma característica egoísta. Mas definitivamente não é!

A começar por um contrato que ele aceita discutir, passando pela clareza de suas colocações e, sobretudo, pela coerência que ele mantém, o tempo todo, entre o que fala e faz. Fiquei realmente admirada.

Wine Tasting Pra quem já me lê, sabe que uma das sugestões que insisto em repetir quando falo de relacionamento é sobre a comunicação. Clareza, objetividade, transparência. Acredito, realmente, que a prática recorrente dessas qualidades facilitaria de modo imensurável e inenarrável nossa vida, nossa saúde e nossas relações, especialmente as afetivas.

De repente, pensei: "Que maravilha! Ele pede e pratica pelo menos 50 tons da verdade!". E por ser assim, termina incentivando Ana a esse treino. Não exige "sim" ou "não", porque mais importante do que as determinações é o que pode ser vivido. Enquanto casal, parceiros, adultos e conscientes, eles discutem, perguntam, ouvem um ao outro. Quando ainda não sabem, dão-se espaço e tempo para pensar. Quando sentem que algo pode lhes ser demais, comprometem-se a, pelo menos, tentar.

Sem garantias, sem certezas. Um dia de cada vez. Um cômodo de cada vez. Um acessório de cada vez. E pra melhorar, ainda têm as palavras de segurança! "Amarelo" e "Vermelho"! A primeira serve de alerta para quando um está se aproximando do limite do outro. E a segunda, refere-se ao alerta de que um chegou ao máximo do que o outro pode suportar.

102_236-alt-blog-album-06 Quem de nós tem coragem de avisar? Quem de nós pergunta ao outro qual é o seu limite? Quem de nós pede ao parceiro para gritar "pare" quando não aguentar mais uma situação e, de forma respeitosa, mantendo as alteridades rigorosamente intactas, para imediatamente? Sem discutir. Sem barganhar. Sem tentar impor as próprias necessidades!

Não estou aqui discutindo os termos ou as cláusulas do contrato formal e por escrito que ele propôs a ela, mas sobretudo do contrato verbal, das intermináveis conversas, da abertura total e irrestrita para falar, perguntar, refletir, esgotar as dúvidas, os medos e as inseguranças. Isso é que é incrível, arrebatador, encantador!

Quem não quer conviver com alguém que está disposto a falar do que sente, que está comprometido até o último fio de cabelo com a sua verdade? Penso que não é o sexo ou o dinheiro ou a beleza do personagem que conquistou o mundo. Sim, claro, tudo isso tem seu valor e, apesar de serem questões absolutamente relativas, realmente não vejo nada de mau em querer o belo, o bom e o prazeroso. Mas penso que o que sustenta tudo isso na narrativa são os inúmeros tons da verdade usados tão contundentemente na relação entre eles.

Quantas vezes temos medo de nós mesmos, da nossa história, do nosso passado, de nossos pensamentos e sentimentos, de nossas fraquezas? E por tudo isso, inventamos alguém que não somos para tentar obter alguma garantia de que podemos ser amados pelo outro? E sabe o que conseguimos? Enganos, ilusões e frustrações! Amores de mentira! Relações pequenas, cheias de silêncios ensurdecedores, abismos e mal-entendidos!

namorados1 O que me abraçou definitivamente na trilogia de E. L. James, a autora britânica deste best-seller, foi a coragem de seu personagem de não se esquivar de si mesmo. De enfrentar seus próprios demônios como consegue, quando pode, pedindo ajuda ao seu psiquiatra, aceitando ajuda de onde veio, sem julgar, sem desmerecer.

Porque, acredito eu, foi a sequência de suas escolhas - nem certas e nem erradas, apenas as escolhas possíveis em cada momento de sua vida - que lhe possibilitou chegar ao encontro de seu grande amor. Ao encontro da mulher através de quem ele pode enxergar sua própria alma. E o que é o amor senão ser para o outro um espelho fiel de tudo de bom e tudo de nem tão bom que existe nele e, ainda assim, continuarem juntos?

No mais, o exercício é de evolução diária, consistente e com o máximo de prazer que for possível! Lancem mão de seus acessórios pessoais e façam-se pulsantes e satisfeitos!

rosanabraga@rosanabraga.com.br

sábado, 27 de abril de 2013

MIX

DIA INTERNACIONAL DO PÃO
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O pão, um dos alimentos mais antigos e populares da humanidade, tem um dia especial reservado no calendário : 16 de outubro. Essa data foi instituída no ano de 2000, em Nova York, pela UIB - International Union of Bakers and Bakers-Confectioners.

Gilberto Freyre (sociólogo) diz que o Brasil só conheceu o pão no século XIX. Antes disso, os alimentos com uso de farinha eram à base de mandioca e milho. Como na Europa, aqui o pão também surgiu acompanhado de rituais e cerimônias : costumava-se fazer cruzes nas massas, rezar salmos para fazê-los crescer e ficarem macios e bonitos.

Os imigrantes foram os responsáveis pelo desenvolvimento da panificação no Brasil, mais notadamente os italianos. O pioneirismo da panificação comercial surgiu em Minas Gerais, mas foi em São Paulo que as grandes padarias mais se proliferaram.Vamos comemorar todos os dias do ano.( colaboração de Vlamir Devanei Ramos )

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O HÁBITO DE FUMAR

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O tabaco começou a crescer nas Américas por volta de 6.000 a.C. e acredita-se que os habitantes do continente começaram a dar suas baforadas no ano 1 a.C., além de mascar as folhas da planta. A primeira prova documental de que os nativos realmente fumavam é um pote de cerâmica, datado como anterior ao século XI a.C., e que mostra um maia fumando um monte de folhas de tabaco enroladas e presas por uma cordinha.

O fumo era usado também com fins medicinais e durante rituais religiosos. O homem branco só foi conhecer o fumo quando Cristóvão Colombo aportou no Novo Mundo, em 1492. O navegador ficou intrigado ao ver os índios mascando e fumando as folhas secas de uma certa “planta aromática”.

Os nativos a chamavam de tobaga, termo que deu origem à palavra “tabaco”. Colombo levou algumas folhas na viagem de volta à Europa, mas não fez muito sucesso com a novidade. O uso da planta se alastrou somente a partir do século XVI, quando aventureiros e diplomatas como o francês Jean Nicot – que acabou batizando a nicotina – começaram a popularizá-lo.

Os charutos apareceram no século XIX e os cigarros, que já eram produzidos de forma bem rudimentar e à mão, passaram a ser fabricados em série em 1883, com a invenção da máquina de enrolar cigarros, criada pelo norte-americano James Bonsack.( extraído do blog "Foi Desse Jeito" - http://foidessejeito.blogspot.com.br)

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METRÔ

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Em 24 de abril de 1968,foi formada oficialmente a Companhia de Metropolitano de São Paulo. Em dezembro, começaram as obras.

Em 6 de setembro de 1972,foi dada a largada ao mais eficiente sistema de transporte público da cidade. Do alto do palco montado no pátio do Jabaquara para a cerimônia dos testes,o presidente Garrastazu Médici apertou um botão que,simbolicamente,inaugurava o primeiro metrô do Brasil.

O percurso experimental,com cerca de 400 metros,foi percorrido a uma velocidade de 20 km/h. Apenas as autoridades embarcaram na primeira viagem.Do lado de fora,cerca de 2 mil pessoas aplaudiam. Enquanto o trem se aproximava,o então prefeito Figueiredo Ferraz era abraçado pelo governador Laudo Natel.

(Rose Saconi,"Em 1927,a 1ª notícia sobre o 'subterrâneo'", jornal O Estado de São Paulo,2 de setembro de 2012)

Saiba mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Metr%C3%B4_de_S%C3%A3o_Paulo

sexta-feira, 26 de abril de 2013

DISCO MUSIC

stock-footage-music-disco-speech-balloon-hd Nascida na porção gay,negra e latina de Nova York no final dos anos 60,a disco saltou do underground para todos os cantos do mundo,envelopada de diversas formas. Talvez o ícone mais conhecido até hoje seja Tony Manero,personagem de Johm Travolta em "Os Embalos de Sábado à Noite",longa,que,no fim de 2012,completou 35 anos.

Lançado no final de 1977,o filme virou marco da geração ,que,pela primeira vez na história,levava o hedonismo para a pista de dança e fazia da discoteca a sua igreja. Era o nascimento da cultura de clubes,ou seja,do hábito de sair para dançar,um dos vícios mundanos mais deliciosos já criados pelo ser humano.

O documentário da BBC, "The Joy of Disco",releva muito do universo da disco,inclusive a malícia por trás de hinos que o Planeta inteiro já dançou, achando que eram músicas inocentes,como o hit "YMCA",do Village People. Dificilmente as milhares de pessoas que já dançaram essa manjada coreografia com os bracinhos formando letras do alfabeto, tenham se dado conta de que a música fala,basicamente,da pegação gay no banheiro da ACM nova iorquina.

Está no documentário também a história da atriz pornô que virou rainha das pistas, Andrea True (falecida em 2011),que entrou para a história com o sucesso "More,More,More"

(Cláudia Assef & Eletro,"Por que a disco music nunca vai sair da moda",jornal "O Estado de São Paulo", 17 de março de 2012)

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Tony Manero
http://www.youtube.com/watch?v=Cvl0iKbdV6A

YMCA - Village People
http://www.youtube.com/watch?v=CS9OO0S5w2k

More,More,More - Andrea True
http://www.youtube.com/watch?v=RlJGrIyt-X8

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A OBSESSÃO PELO MELHOR

158317745 Leila Ferreira

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, o melhor salário, a melhor dieta, o melhor celular, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho...

Bom não basta.

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante.

Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

158318020 Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis...

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, nem posso..., preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

156508558 Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.

A casa que é simples, mas nos acolhe...
O emprego que não é aquelas coisas, nem paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O carro não é o top de linha, mas está ótimo..
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser aquelas dos sonhos, porque o dinheiro não deu..., mas vai dar pra descansar e me dar a chance de estar perto das pessoas que amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. ..

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
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Leila Ferreira é uma jornalista mineira 

enviado por Mariza Lenir

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ADIANTA VOTAR NULO ?

97233830 Liliana Pinheiro

Ninguém sabe, nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um passeio pela internet e pelo orkut propicia uma festa de aberrações na forma de campanhas pela anulação. Afirma-se, por exemplo, que os pleitos (para cargos majoritários ou proporcionais) seriam cancelados caso houvesse mais de 50% de votos nulos.

Isso é conversa fiada, avisa o TSE. No caso da eleição para deputados federais, estaduais e senadores, pode haver maioria folgada de votos nulos, que, ainda assim, os deputados tomarão posse. Mesmo se tiverem meia dúzia de votos. A Constituição garante que servem somente os votos válidos (excluindo-se os nulos e brancos) e ponto final.

Já no caso de presidente e governador, nem o TSE tem certeza do que aconteceria. É que existem duas leis conflitantes sobre o tema. A Constituição, de 1988, reza que valem só os votos válidos. Mas o Código Eleitoral, de 1965, prevê a anulação em caso de mais de 50% de votos nulos numa eleição majoritária. Se isso ocorrer, o impasse deve seguir para julgamento do TSE e depois do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiria ao sabor da pressão política.

A democracia no Brasil provavelmente ficaria abalada. A insegurança política resvalaria na economia, com os investidores estrangeiros retirando seus dólares do país.

Mas enquanto o voto nulo ficar como quarta ou quinta preferência do eleitor, por volta dos 10% dos votos, é difícil que vire pressão política. Isso porque, para muitos especialistas, os políticos brasileiros pouco se importam com o que o eleitor está pensando. “Poucos vão se impressionar, tal o nível de desapreço à opinião do eleitor, que se mede pelo cinismo com que políticos trataram os recentes episódios de corrupção”, diz Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da organização Transparência Brasil, entidade que reúne organizações não-governamentais de combate à corrupção.

“O voto de protesto chegou a fazer sentido na ditadura. Hoje, não.” (fonte: Liliana Pinheiro,"Adianta Vota Nulo?",Revista Super Interessante,setembro,2006)

Saiba mais em http://super.abril.com.br/cultura/adianta-votar-nulo-446574.shtml

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cães forever!

destaque_caes Paulo Mohylovski

Na Grande Noite dos Tempos, um cão já estava ao lado de um ser humano. Ossadas de um cão com seu dono de mais de dez mil anos foram encontradas na Alemanha. Um arquéologo disse que os antigos eram mais cuidadosos no sepultamento dos seus cães do que com outros humanos.

Os cães sempre estiveram ao nosso lado. Nao se importavam se estavam na Idade Média, no Renascimento ou no Mundo Contemporâneo; se o seu dono estava com toga romana ou com uma calça jeans americana.

Tudo que queriam era ficar ao lado dos humanos, brincando, abanando a cauda, correndo atrás de gravetos...

Durante muito tempo, meus cães preencheram minhas dúvidas e minha solidão. Não conseguia resolver nada, mas como era bom ter um cão ao lado quando me sentia triste ou solitário.

E muitas vezes, quando acordava com um certo cansaço da vida, ao receber o abraço e olhar meigo do meu cão, não tinha como nao achar que aquele dia já estava valendo a pena somente por causa daquele gesto afetuoso.

E quantos momentos de fúria, de jovem rebelde, insatisfeito com tudo, pegava meu cão e andava, andava, andava. Só quando conseguia rir de mim mesmo é que eu voltava para casa.

Os cães continuam me amparando. Sem saber o que fazer da vida, já que estava insatisfeito num emprego, eles  me deram a chave da mudança. Trabalhar diretamente com eles é um motivo de alegria e satisfação(e ainda ser remunerado por isso!).

E mesmo agora, com o problema de saúde da minha mãe, eles não falam "qualquer coisa, pode contar comigo", porque todo o ser deles só diz isto o tempo todo. E até quando tenho que passear com eles, alimentá-los, limpá-los, limpar as suas sujeiras, eu esqueço de todos os problemas. É uma verdadeira terapia canina.

Ainda que esteja mais maduro emocionalmente - já que não sou mais um "jovem triste" - e sei que é compartilhando com outros humanos que nosso coração vai ser preenchido, ter um cão ao lado (no caso três cães) me faz sorrir e olhar a vida como uma brincadeira de jogar a bolinha e esperar o cão ir pegá-la...

(roubado do blog "A Arte de Passear Com Cães" http://dogwalker.zip.net/)