domingo, 14 de julho de 2013

DÁ TRABALHO, MAS É BOM

pai-e-filho

André Luís Aquino

"É comum a gente sonhar, eu sei/Quando vem o entardecer/Pois eu também dei de sonhar/Um sonho lindo de morrer/Vejo um berço e nele eu me debruçar/Com o pranto a me correr/E assim, chorando, acalentar/O filho que eu quero ter/Dorme, meu pequenininho/Dorme que a noite já vem/Teu pai está muito sozinho/De tanto amor que ele tem/De repente o vejo se transformar/Num menino igual a mim/Que vem correndo me beijar/Quando eu chegar lá de onde vim...Quando a vida enfim me quiser levar/Pelo tanto que me deu/Sentir-lhe a barba me roçar/No derradeiro beijo seu/E ao sentir também sua mão vedar/Meu olhar dos olhos seus/Ouvir-lhe a voz a me embalar/Num acalanto de adeus/Dorme, meu pai, sem cuidado/Dorme que ao entardecer/Teu filho sonha acordado/Com o filho que ele quer ter" (O Filho Que Eu Quero Ter - Toquinho/Vinícius de Moraes)

A origem da letra dessa música, que fala sobre a paternidade de uma maneira sonhadora, teve inicio na praia de Boa Viagem, no Recife, quando Toquinho contou a Vinícius sobre seu desejo de ter um filho. Experiente no assunto, o poeta respondeu algo como: “Vai nessa! Dá trabalho, mas é muito bom.”
E Toquinho foi além. Mostrou-lhe uma melodia que havia composto inspirado naquele desejo, com uma levada típica de cantigas de ninar. Foi à praia e deixou o parceiro a embalar a música recém-composta.

Ao voltar, encontrou Vinícius aos prantos, com a letra pronta.Toquinho costuma dizer que a vontade de ter filho era sua, mas Vinícius fez a letra pensando muito mais em si. O homem encantado com o sonho de ter um filho, vê-lo crescer e, ao final, em seu leito de morte, ser por ele embalado com a mesma canção com que o fazia ninar, embevecido por vê-lo reproduzir seu sonho de também ter um filho. A canção foi lançada por Chico Buarque, no disco Sinal Fechado, em 1974.

No ano seguinte, os autores incluem a canção no disco Vinicius de Moraes e Toquinho, da Philips, com direção e produção de Fernando Faro e capa do grande artista plástico e companheiro de futebol de Toquinho,Elifas Andreato.

Elifas, na época com aproximadamente 28 anos, não queria ter filhos, pois tinha alguns problemas de relacionamento com seu pai, mas confessa que esta canção mudou seu jeito de pensar. Dois anos depois, nasceu Bento e o novo pai coruja foi contar a novidade para Vinícius, que respondeu apenas:
- Que bom! Só assim você poderá entender seu pai...

( Extraído do blog Geléia General - http://geleiageneral.blogspot.com.br/)

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