segunda-feira, 26 de agosto de 2013

AS GAROTAS DO ALCEU

Gabriela Ordones Penna

64814_429340547148398_1277400781_n Na esteira da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), um grupo de garotas brasileiras resolveu revolucionar os padrões de comportamento feminino tentando substituir o recato pela ousadia, namorando vários rapazes, praticando esportes, mostrando os corpos em praça pública. Eram conhecidas como “As Garotas do Alceu”, e se tornaram ícones de moda e comportamento para a juventude brasileira no pós-guerra. Alceu Penna (1915-1980) foi o artista gráfico que, entre 1938 e 1964, assinou uma coluna ilustrada na revista O Cruzeiro, famosa pelo apelo malicioso, fazendo subir a temperatura da então maior publicação ilustrada do gênero no Brasil.

A moda e o corpo seguem os padrões da época em que estão inseridos. As formas desnudadas das garotas na coluna caminhavam paralelamente ao desejo de um casamento nos moldes tradicionais. Se, por um lado,
“As Garotas” manifestavam a ousadia de namorar a seu bel-prazer, por outro estavam imersas num contexto em que ser esposa e mãe era o caminho mais natural de uma jovem de boa reputação.

O Cruzeiro foi lançada em 1928, no Rio de Janeiro, como “a primeira revista ilustrada de circulação nacional”. Ao lado de Alceu Penna, contava com colaboradores de peso, como Anita Malfatti (1889-1964) e Manuel Bandeira (1886-1968), além de marcantes seções de humor, como o “Amigo da Onça” e “Pif Paf”, de Millôr Fernandes (1923-2012). O trabalho de Alceu Penna para O Cruzeiro ganhou maior destaque a partir da seção “Portifólio Modas”, quando seu nome se torna a referência em moda dentro e fora da publicação, acompanhando as novidades internacionais.

alceu-penna-8 Nada disso foi comparável ao frisson causado pela coluna “As Garotas do Alceu”, que lançou as primeiras pin-ups do país, inspiradas nas “Gibson Girls”, criação do norte-americano Charles Gibson (1867-1944), que fizeram história entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. A coluna chamava a atenção pelas cores vibrantes e por seu apelo gráfico, ainda mais em uma revista onde predominava o preto e branco.

Tal estética estava em consonância com os avanços da indústria impressa no Brasil e, mais ainda, com a modernidade encarnada pelas figuras das pin-ups – mulheres de boca carnuda e olhos grandes, voluptuosas, arejadas e, sobretudo, sensuais. Distante do padrão conservador até então imposto às brasileiras, o modelo das pin-ups permitiu a Alceu Penna equilibrar ousadia e recato, construindo uma imagem inspiradora para as mulheres da época.

A coluna era composta de textos e ilustrações, e durou 26 anos, mas a ousadia das figuras ficou mais evidente entre 1938 e 1957, período de colaboração dos redatores Accioly Netto (Lyto), Millôr Fernandes (Vão Gôgo), Edgar Alencar (A. Ladino) e do próprio Alceu Penna.No último ano, a entrada da redatora Maria Luiza deu aos textos um ar conservador, explorando mais temas como casamento, filhos e boas maneiras.

CONTINUE LENDO "AS GAROTAS DO ALCEU" EM http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/e-moderno-ser-gostosa

Saiba mais em http://www2.uol.com.br/modabrasil/biblioteca/grandesnomes/alceu/

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