domingo, 9 de fevereiro de 2014

ORKUT

Rede social Orkut ainda tem 17 mi de visitantes no país

Luís Nassif

122006984 Desde que há internet, há troca de mensagens. Desde que há troca de mensagens, há comunidades sociais. A primeira, Classmates, foi criada em 1995, para congregar estudantes de escolas e universidades americanas. Nos anos seguintes surgiram MirC, MySpace, LinkedIn, MSN Todas tiveram relativo sucesso no país, mas nada que se comparasse à hegemonia conquistada pelo Orkut.

Nascido numa empresa americana, o Orkut visava, inicialmente, o mercado americano. Em janeiro de 2004 — primeiro mês de funcionamento —, dos dez países com mais usuários, o Brasil ocupava a oitava colocação.

Outras redes sociais cresciam em outros países (Hi5 no México, Friendster na Malásia, Facebook nos Estados Unidos).

O Orkut surgiu de forma excludente: entrava-se na rede mediante convite.

Da primeira leva de brasileiros a se aventurar, constavam a jornalista Cora Rónai e o antropólogo Hermano Vianna. O meu convite chegou em março de 2005, por intermédio de uma amiga. Nós tínhamos 23 anos, estávamos no segundo ano de Jornalismo, conversávamos muito pelo computador.

No Orkut, há resquícios de mensagens nossas : estão marcados, no meu histórico, o dia em que consegui meu primeiro emprego (“Caracas!!!! Qual vai ser o seu horário???”, perguntou uma amiga), o dia em que sofri um acidente, que me deixou um mês acamado (“Vc tá melhor???? Fiquei sabendo”, escreveu minha prima), o dia em que entrei para uma comunidade de fãs do deputado Paulo Maluf (“Vou te espancar!”, bradou uma paulistana).

170069297 Está lá a primeira mensagem que recebi de uma moça que viria a ser minha namorada (“Você é capcioso”) e a última que ela escreveu antes de terminarmos (“Você está sendo irônico?”).

Entre março de 2005 e agosto de 2011, 2.344 mensagens foram escritas por amigos no meu perfil. Elas formam um retrato do que eu fui (ou aparentei ser) naquele período — mas não só. Quando o foco é ampliado para todos os perfis, de todos os usuários que restaram, há, ali, um retrato do que foi uma parcela do Brasil naquele período.

— No futuro, pesquisadores que forem ao Orkut vão entender numa escala microscópica o que estava acontecendo no país naquele momento. Está tudo lá: moda, política, sem falar na inclusão social.

Diretor do Centro de Tecnologia e da Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Lemos defende que o conteúdo do Orkut deveria ser preservado pela Biblioteca Nacional ou pelo próprio Google

De acordo Alex Banks, diretor-executivo da ComScore, usuários do Orkut entram na rede sete vezes ao mês (contra 44 do Facebook). Permanecem durante 40 minutos (contra 12 horas no Facebook). Dos remanescentes, 98,4% têm perfil na rede de Zuckerberg. Ainda assim, ele acredita que o Orkut não esteja condenado:

— O anunciante quer número de cliques, e 17 milhões de visitantes ainda é muita coisa.

455587447

Já Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, ONG que recebe denúncias de crimes na internet, é menos otimista: de 2005 a dezembro de 2012 (quando foi ultrapassado pelo Facebook), o Orkut foi o site mais denunciado por crimes de ódio, racismo ou pedofilia.

Num passeio pelo Orkut, hoje, vê-se que algumas comunidades que eram gigantes continuam gigantes. “Eu amo a minha mãe” ainda congrega 4,6 milhões de membros. “Eu amo o meu pai” tem 2,5 milhões. Comunidades que tratam de times e seriados ainda têm audiência relativa.

Autor de 715 comunidades , o publicitário Bruno Predolin chegou a ganhar um valor (ainda que simbólico) com os grupos que inventou: de 2010 a 2011, o canal HBO lhe pagava R$ 500 mensais para ter o link anunciado em suas comunidades.

O publicitário — então apenas um estudante universitário — ficou surpreso com a oferta: — Eu não tinha pretensão de ganhar dinheiro. Quando comecei a criar as comunidades estava na escola; só queria canalizar minhas ideias.

Gerente de uma agência de turismo no Shopping Downtown, na Barra, João Mascarenhas (ou João Holden, como era conhecido no Orkut) foi dono da maior comunidade que existiu: “Eu odeio acordar cedo”, com 6,1 milhões de usuários — que o transformou numa figura “pública” na rede. Havia agremiações formadas por aqueles que o admiravam , detestavam e que gostariam de estar em seu lugar : — No mundo do Orkut fiquei conhecido, mas fora dele ninguém sabia quem eu era — lembra hoje, aos 34 anos.

Vendeu sua comunidade em 2009, por cerca de R$ 4 mil. Nunca mais entrou no grupo.

Dono do blog de humor “NãoSalvo”, Maurício Cid, de 27 anos, foi autor de 1.024 comunidades. Vez por outra, relembra o Orkut em seu blog. Em fevereiro, listou uma série de perfis de usuários sob o título “24 motivos para ter saudades do Orkut”. …

Existe atualmente, no Facebook, uma série de comunidades que veneram o Orkut. A maior delas, “Sdds Orkut” (Saudades Orkut), tem 67 mil usuários, que costumam postar páginas com erros de português famosos no site que marcou a inclusão digital das classes mais populares (um garoto exaltando seu “peito oral”, uma menina reclamando da “cituasão”).

A segunda maior, “Unidos pelo Orkut”, é descrita como uma página “em prol da melhor rede social de todos os tempos”.

A terceira, “Comunidades do Orkut”, é onde cerca de dez mil pessoas relembram os grupos mais inventivos

Enviado por luisnassif, dom, 24/03/2013 - 07:33
Do jornal O Globo

Leio o artigo na íntegra em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/rede-social-orkut-ainda-tem-17-mi-de-visitantes-no-pais

Saiba mais em http://forum.outerspace.terra.com.br/index.php?threads/24-motivos-para-sentir-saudades-do-orkut-parte-1-e-2.322021/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O importante é o que você acha :